28/07/2004 21:37
O gato filho duma ... é apanhado.
por Miguel de San Martin migueldesanmartin@ig.com.br
Se eu tivesse nascido alguns graus de latitude acima da linha do equador, eu seria um elegante e misterioso "feral cat".
Como nasci cá embaixo, sou apenas um "g-a-t-o-f-i-l-h-o-d-u-m-a-p-u-t-a". Pronunciado-se com todas as letras e traços.
Por conta disso, e de algumas poucas farras nos telhados, fui apanhado numa armadilha. As poucas farras foram muito boas, a isca que colocaram na armadilha também. As folias, as aproveitem bem. A isca? Bem, fiquei com tanta raiva de ter sido apanhado que nem a comi.
Armadilha bem feita, brilhante, dessas compradas prontas, de grife e tudo. Isso me fez ficar mais raivoso ainda.
Burro! Idiota! Um pedaço de lingüiça seca e defumada dentro de uma coisa brilhante como um disco voador, e você entra! Cretino!
E eu, que nem comia os passarinhos desses caras. Bem que tentei. Da primeira vez, engasguei com uma pena e peguei trauma. A partir daí, comecei a andar bem longe das gaiolas que prendiam os animaizinhos.
Nossa! Vida de preso é fogo, né? A gente pensa cada coisa!
Pelo jeitão da coisa, agora é esperar a caçarola quente e molho de tomate no lombo. Se pudesse ser sem as batatas, eu agradeceria. Detesto batatas!
Epa! Lá vem o cara do cozido. Vou espernear um pouco.
- Calma, bichinho! Não vou lhe fazer mal. Só quero você longe do meu telhado.
Calma? Que jeito? Quer trocar? Você fica aqui dentro e eu vou ai fora, te chamar de bichinho.
O que esse fulano pretende? Vamos ver. Pelo menos, não é um maldito comedor de gatos. Parece que escapei das batatas.
Porta-malas apertado e escuro, ainda dentro da tal ratoeira gigante. A barca se movimenta.
Muito tempo depois, o "delicado" para o veículo, coloca a caixa no chão, abre uma portinhola.
- Vai bichano, vai com Deus!
Vai com Deus p'rá "dindonde", palhaço? Que matagal medonho!
Será que esse cara não vê que vou ter que andar como cachorro sem dono para encontrar uma casa? Será que não percebe que me separou da família querida? Será que esse é o tal tipo "ecologista", do qual me haviam falado?
Depois do assombro, uma rápida corrida para longe da gaiola. Vai que o homem muda de idéia.
O carro se afasta. Buahhh! E agora? Cadê minha santa e gata mãe?
Se eu sobreviver, volto para contar minha aventura. A história do "g-a-t-o-f-i-l-h-o-d-u-m-a-p-u-t-a" que virou "b-i-c-h-i-n-h-o / b-i-c-h-a-n-o" solto na quiçaça.
enviada por Megeon
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