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Vento da floresta

08/10/2004 17:49
Já se vão 15 dias desde o início da primavera e o sono continua.
enviada por Megeon



28/08/2004 00:35

O céu por lápide.



por Lucano




Ao que não tem sepultura, o céu o cobre.



enviada por Megeon



28/07/2004 21:37

O gato filho duma ... é apanhado.



por Miguel de San Martin
migueldesanmartin@ig.com.br



Se eu tivesse nascido alguns graus de latitude acima da linha do equador, eu seria um elegante e misterioso "feral cat".

Como nasci cá embaixo, sou apenas um "g-a-t-o-f-i-l-h-o-d-u-m-a-p-u-t-a". Pronunciado-se com todas as letras e traços.


Por conta disso, e de algumas poucas farras nos telhados, fui apanhado numa armadilha. As poucas farras foram muito boas, a isca que colocaram na armadilha também. As folias, as aproveitem bem. A isca? Bem, fiquei com tanta raiva de ter sido apanhado que nem a comi.


Armadilha bem feita, brilhante, dessas compradas prontas, de grife e tudo. Isso me fez ficar mais raivoso ainda.

Burro! Idiota! Um pedaço de lingüiça seca e defumada dentro de uma coisa brilhante como um disco voador, e você entra! Cretino!


E eu, que nem comia os passarinhos desses caras. Bem que tentei. Da primeira vez, engasguei com uma pena e peguei trauma. A partir daí, comecei a andar bem longe das gaiolas que prendiam os animaizinhos.


Nossa! Vida de preso é fogo, né? A gente pensa cada coisa!


Pelo jeitão da coisa, agora é esperar a caçarola quente e molho de tomate no lombo. Se pudesse ser sem as batatas, eu agradeceria. Detesto batatas!


Epa! Lá vem o cara do cozido. Vou espernear um pouco.


- Calma, bichinho! Não vou lhe fazer mal. Só quero você longe do meu telhado.


Calma? Que jeito? Quer trocar? Você fica aqui dentro e eu vou ai fora, te chamar de bichinho.

O que esse fulano pretende? Vamos ver. Pelo menos, não é um maldito comedor de gatos. Parece que escapei das batatas.


Porta-malas apertado e escuro, ainda dentro da tal ratoeira gigante. A barca se movimenta.

Muito tempo depois, o "delicado" para o veículo, coloca a caixa no chão, abre uma portinhola.


- Vai bichano, vai com Deus!


Vai com Deus p'rá "dindonde", palhaço? Que matagal medonho!

Será que esse cara não vê que vou ter que andar como cachorro sem dono para encontrar uma casa? Será que não percebe que me separou da família querida? Será que esse é o tal tipo "ecologista", do qual me haviam falado?


Depois do assombro, uma rápida corrida para longe da gaiola. Vai que o homem muda de idéia.

O carro se afasta. Buahhh! E agora? Cadê minha santa e gata mãe?


Se eu sobreviver, volto para contar minha aventura. A história do "g-a-t-o-f-i-l-h-o-d-u-m-a-p-u-t-a" que virou "b-i-c-h-i-n-h-o / b-i-c-h-a-n-o" solto na quiçaça.



enviada por Megeon



04/07/2004 18:20

Quem pegou o fumo daqui?



por Miguel de San Martin
migueldesanmartin@ig.com.br



(ou Piri e o Curupira)

Com os comentários, não audíveis pelos personagens, do >> Espírito de Porco.




Faz tempo. Bastante tempo. Os filhos conversam com os pais sobre quase tudo. Ainda procuram neles o conhecimento e a experiência que só a vida traz.
>> - Tudo isso p'ra dizer que a história é velha?

A caça ainda é permitida. Ou então não é. Só que ninguém sabe disso, dessa coisa de permissão.
A coisa mais natural do mundo, quando se enjoa da carne de frango e porco, é ir ao mato buscar um tatu ou um outro bicho qualquer.
Chamam isso de caçada. Não é uma caçada como a que vemos em filmes, com tigres, leões, e etc.. Nada disso. Vai se caçar tatu, preá ou com muita sorte um teiú.
>> - Hummm. Sei. Sei. Quase sempre uma matança daquelas!

Ele, Piri, desde pequeno, acompanha o pai nessas aventuras. São aventuras, e ele nem sabe disso.
Toda vez que o pai vai caçar, com o companheiro Zé do Fumo, ele os acompanha. Observando tudo, perguntando muito, calando quando mandado, ajudando no que pode, entendendo o que acontece. Sente-se bem: está aprendendo, sobre a mata, os bichos e sobre a vida.

Vamos fazer uma pausa, para falar do Zé.
>> - Xiiii. Vai começar!!!

O Zé é o parceiro inseparável de seu pai, nas caçadas e pescarias. Piri o acha muito estranho, esquisito mesmo.
No sítio em que moram, Zé tem fama de bruxo: conhece tudo de plantas e doenças, de chás e garrafadas. O fato é que, por conta da distância até o posto médico, o Zé acaba resolvendo a maior parte das mazelas daquele povo. Além disso, o Zé sempre carrega nos bolsos alguns nacos de fumo em corda, que costuma mascar, por isso do apelido.
Mas, o que mais incomoda Piri é o fato de que o Zé sempre olha para ele e para as outras pessoas como se estivesse olhando através da pessoa, como se estivesse enxergando algo atrás e acima da pessoa. Por várias vezes, ele interpela o pai a respeito da forma de olhar do Zé. A resposta, invariavelmente, é:
- Deixe isso quieto. Um dia você vai entender.
>> - Será que vai?

Outra coisa é a conversa de companheirismo: eles são companheiros durante o caminho. Ao entrarem no capoeirão, o Zé sempre fica um pouco afastado. E tem uma baita sorte! Sempre pega mais bichos que pai e filho juntos.
>> - Sorte? Bahhhh!

Em uma dessas empreitadas, ao entrarem na brenha, Zé do Fumo olha Piri, digo, olha através de Piri e diz:
- Você já cresceu o suficiente. Podemos caçar juntos. Vamos lá.
Tira do bolso um pedaço de fumo e o coloca em uma pequena greta no tronco de uma árvore bastante velha e muito alta. Feito isso, segue em frente.
- Vamos pegar os bichos.
>> - "Brigadão".
Piri, espantado olha para o pai, que com a mão acena para que ele acompanhe o Zé.

E assim fazem. Os três caminham pelo capão procurando buracos onde os bichos possam estar escondidos. Dai a pouco, o Zé grita - catei um - e lá vai um tatu para dentro do saco que ele carrega ao ombro. Um pouco depois, outro grito - iuuuuu. mais um, negada - 0utro tatu dentro do saco.

Piri e seu pai ainda não pegaram nada.

O Zé resolve parar:
- P'ra mim já tá bom. Vou indo. Espero vocês na entrada da mata.
>> - De nada.

Piri aproveita a ocasião para perguntar ao pai o motivo pelo qual o Zé teria colocado aquele pedaço de fumo na árvore, e seu pai responde:
- Bom. Como o Zé disse, você já cresceu. Ele sempre fumo naquela mesma árvore. Ele diz que é para os amigos dele. E ele deve ter suas razões. Eu não sei quais são, nem os amigos e nem as razões.
- Já que eu cresci, vou perguntar outra coisa. Por que ele olha daquele jeito, feito um zarolho?
- Porque ele vê coisas que nós não vemos.
- Coisas que não vemos! Fumo em árvore! Bicho não come fumo! Coisa de doido! - provoca Piri.
>> - Vamos ver, sabidinho!

- Já que o Zé "tá" fazendo outro caminho para voltar, vamos voltar por onde viemos. Aí passamos perto da tal árvore - responde o pai, já cansado da andança e das perguntas para as quais não tinha uma resposta que satisfizesse Piri.

E assim fazem. Chegando lá, nem olham para o lugar onde deveria estar o fumo. Um enorme teiú está dormitando sossegado perto da árvore. Piri elabora um plano rápido:
- Pai, o senhor segura o rabo dele, eu seguro a cabeça e enfio esse "lagartixão" dentro do saco.

Ambos pulam sobre a criatura.
- "Tá" pego.
- "Tá" no óleo.
>> - Quá. Quá. Quá.

Para surpresa de Piri, ele vê o bicho, que costuma rastejar, e que estava pego, jogá-lo e a seu pai no chão e literalmente voar por cima de sua cabeça e subir, ou melhor, sumir na árvore.
Olha para seu pai, dizendo:
- Uai, já viu tiú subir em árvore?
- Nunca - suspira seu pai, segurando um pedaço de tronco roliço na mão e jurando que tinha agarrado o rabo do teiú.

Vasculham o lugar onde deveria estar o bocado de fumo e não encontram nada.
Vindo do alto da árvore, um estranho assobio.
>> - Aprendeu, sabichão?

Saem da mata, meio que assombrados e encontram Zé, sentado em uma sombra, mascando o seu tabaco:
- Pegaram alguma coisa?
- Quase pegamos, mas aí aconteceu uma coisa estranha ... - responde o pai de Peri.
- O mato é cheio de coisas estranhas - interrompe Zé - Vocês podem ficar com um dos tatus que estão dentro do saco.
>> - Assim é que se faz!




enviada por Megeon



28/05/2004 12:07

O doido - parte 1



por Miguel de San Martin
migueldesanmartin@ig.com.br






Minha saúde não vai bem! Saúde mental, claro! As outras? Vão bem. Obrigado.

Ouço coisas estranhas. Vejo coisas estranhas. Leio coisas estranhas. Muito estranhas. Coisas de doido. Claro que não existem. Só pode ser a velha cachola dando sinais de que está posicionada naquela famosa tênue linha entre a lucidez e a loucura.

Leio na edição on-line de uma revista semanal a notícia de que a empresa governamental de pesquisa agropecuária de meu grande país vai colocar no mercado um arroz aromático. Para começar, os sabores de pipoca e de ervas finas obtidos através de modificação genética.

Magnífica idéia! Já temos pipoca com sabor de queijo, de bacon, com sal, com açúcar e com "et caetera". Temos também batata frita com sabor de churrasco e de queijo, margarina com sabor de alho ou se você preferir com sabor de azeitona.
Só que isso não era obtido ajustando-se os genes. Pelo menos, pensamos que não.

Eu adoro bacon. Dá para fazer uma erva qualquer com sabor de bacon? Pode ser até mesmo um capim, um "capinzinho" daqueles sem serventia.

Como doido, tenho o direito a ter algumas dúvidas. Lá vai uma:
Quando acabarmos de trocar os sabores de tudo, vamos ser capazes de fazer as coisas retomarem seu sabor natural? Digo isso, porque vamos acabar enjoando de comer banana com sabor de peixe, tomara que não tenha espinhos. E a picanha com gosto de jiló, então? Isso sem falar da melancia com gosto de jaca, sem sementes nem caroços.
Será que quando enjoarmos disso tudo, vamos poder voltar a comer arroz com gosto de arroz, batata com gosto de batata, manteiga com gosto de manteiga e por aí afora.

É melhor parar por aqui, as pessoas vão achar que eu não estou falando (escrevendo) coisa com coisa.





enviada por Megeon



07/05/2004 13:38

DORES


por Miguel de San Martin
migueldesanmartin@ig.com.br



Vi as lágrimas de uma mãe,
na cidade pequena.
O filho no ônibus,
indo, mesmo sem querer.
Vai morar com o pai.

Senti parte de sua dor.

Vi as lágrimas de outra mãe,
na cidade grande.
O filho no caixão,
indo, mesmo sem querer.
Vai morar com o pai.

Senti parte de sua dor.



enviada por Megeon



12/04/2004 17:36
Assim:

Não possuíamos nada.
Somente a liberdade.

Agora temos muitas coisas.
Tantas. Nem as usamos todas.

Perdemos a liberdade.

Miguel de San Martin

enviada por Megeon



17/03/2004 20:53

Vampirismo emocional e sexual

Os que se alimentam da energia dos outros



O vampiro do amor


por Mabel Iam
http://www.mabeliam.com

Tradução/Adaptação por Miguel de San Martin
migueldesanmartin@ig.com.br


"Beba avidamente o sangue derramado. Mas, rápido! Que o tempo pode nos encontrar despedaçados, mas juntos, abraçados, as bocas feridas e as almas mordidas pelo amor."
adaptado do texto de Federico Garcia Lorca

O criador do vampiro.
Drácula, a história do conde vampiro transformou-se num dos mais populares arquétipos. Nasceu da investigação histórica, genialidade e fértil imaginação de Bram Stoker. A novela conta a história de um vampiro que busca a imortalidade física, mas que somente viverá para sempre se for alimentado de sangue humano. O sangue é a energia que flue por todo o corpo, e que lhe dá a vida.

Os vampiros.
Algumas pessoas que nos rodeiam, energeticamente, repetem esse modelo de vampirismo, e se alimentam da energia emocional, sexual, física e mental de outras pessoas. Claro que não se alimentam do sangue dos outros, como fazia o velho conde, mas buscam nas pessoas suas fraquezas, para terem o poder de sujeitá-las.
O arquétipo do vampiro é relacionado às projeções interna e externa das negações e inibições, em particular, a tudo que é temido e reprimido no mais recôndito do ser. Na personalidade do vampiro, existem vazios e o desejo de preenchimento desses vazios, resultantes de determinados condicionamentos sociais negativos com os quais conviveu: o mau trato, a falta de auto-estima, e a rejeição, muitas vezes por parte de seus próprios pais. Nós podemos visualizar os vampiros se pensarmos num tipo de monstro que viva dentro de uma pessoa, eternamente insatisfeito, sempre procurando algo externo para sobreviver, porque ele não pode sustentar-se ou dar alguma coisa a outra pessoa.

Os vampiros emocionais.
Você pode reconhecer os vampiros emocionais porque parecem ser carentes. Esta é a maneira como eles atraem suas vítimas. Na verdade, são insaciáveis. Extremamente vorazes, desejam dominar as pessoas, principalmente as pessoas melancólicas, os alcoolatras, e os doentes.
Você compreenderá melhor se pensar naqueles amigos que estão sempre lhe contando os problemas, mas nunca escutam você. Eles dizem: "Exatamente como acontece comigo" e começam a contar uma outra história sem que tenham escutado o que você tinha a dizer.

Os vampiros sexuais.
São as pessoas que tentam estabelecer um relacionamento amoroso com alguém, mas somente em um nível muito superficial, evitando qualquer tipo de comprometimento. Estão procurando tão somente a satisfação de seus instintos. Tratam seus parceiros como se fossem descartáveis, e após terem seus desejos saciados, abandonam seus parceiros que sentem um enorme vazio interior. É muito fácil identificar os vampiros sexuais: enquanto as vítimas se sentem tristes e vazias, eles parecem estar radiantes. Geralmente, eles não procuram suas vítimas mais do que uma vez, a menos que eles mesmos decidam fazer assim. Outro sinal: eles sempre se recusam a falar a respeito dos seus sentimentos. Se voltarem a procurar a mesma pessoa, será somente por conta do sexo.

Existe somente uma forma de nos protegermos dos vampiros: Recuperamos nosso amor próprio e nos focarmos na luz que vive dentro de nós, que não permite abrigo para as sombras.


enviada por Megeon



03/03/2004 19:51

Esoterismo no século 21


por Regina Igel

Estava eu posta em sossego, numa rede gostosa, lendo um conto engraçado, ouvindo música de violão no CD... e, de repente, salta diante de mim um homem. Nunca o tinha visto antes. Era esquisito. Mas não saberia descrevê-lo por que razão eu o achava esquisito, eu que sou das mais tolerantes pessoas em relação a todas esquisitices possíveis neste mundão. Então, ele falou:
- Moça, me escute.
- Pois não. - Fechei o livro, me aprumei na rede, escorreguei, ele me ajudou, puxando-me pela mão.

A mão dele também era meio esquisita. Leve demais. Mas com uma energia tal que só com um toque me retirou da concavidade da hamaca e me pousou na beirada franjada.

- O que é? - lhe perguntei.

Ele, ali de pé, me olhou firme e começou:

_ Olha, não se assuste com o que vou dizer. Eu não sou daqui. - Bom, até aí deu para entender. Nunca tinha visto o homem e ele era bem diferente dos que eu já tinha visto na minha vida. - Eu não sou daqui - ele continuou. Sou do lugar que vocês chamam de "Marte".

Aí engasguei. O homem devia ter escapado de um "asilo para pessoas em repouso" ou coisa que o valha. Enfim para os senis que a família não quer por perto e enfia lá no casarão estalado no alto da colina. Olhei para os lados, para ver se alguém ali por perto poderia vir me dar um apoio. Eu não saberia lidar com a cabeça daquele sujeito. E ele foi falando:
- Pois é, não se assuste. Eu sou de lá mesmo. E entrei aqui por acaso. Qualquer lugar serviria para eu pousar, contanto que minha mensagem chegasse para alguém. Eu lhe peço, por favor, que vá dizer para este pessoal que mandou um trator lá na nossa superfície, que o retire de lá enquanto há tempo. Porque não estamos nada felizes com o barulho e nem com as insinuações de que somos um deserto, e com as especulações se há ou não há vida por lá, e coisas deste teor. E não existe o que vocês chamam "Marte". Como é que se atrevem a ir dando nomes a lugares assim, sem mais nem menos, só porque vocês não vêem gente como vocês? E por quê "Marte"? Nome beligerante como este. Nós ... nós já aprendemos demais com guerras. Estamos muito além da Trapobana com isto de guerras. Não adiantam coisa nenhuma. E pagamos caríssimo este aprendizado. Acabamos com nossa estrutura atmosférica. Agora vivemos embaixo daquele lençol de areia avermelhada, embaixo, como as minhocas aqui do planeta Terra. Eu lhe peço, por favor, passe este recado para quem mandou aquele trator que anda pra cá e pra lá tirando fotografias da areia - que o retire. Porque não o queremos lá, porque não queremos vocês, porque não nos chamamos "Marte" e tampouco somos 'marcianos'. E eu tenho mais uns segundos terrestres para lhe dizer outra coisa: [pausa] Não, é melhor não dizer. Acabo de receber mensagem cerebral de que ainda não chegou a hora. - Pois bem, é tudo o que eu tinha a dizer. Tenha uma boa tarde e desculpe o incômodo.

E desceu as escadinhas, saiu andando pelo caminho de terra batida, foi andando sem olhar para trás, até que o perdi de vista. Ou ele desapareceu, obedecendo alguma ordem cerebral.

Como a ... é lida por pessoas influentes nos setores político-administrativos do nosso mundão, resolvi registrar a tal mensagem do tal marci... epa! homem-de-algum-lugar, aqui mesmo. Passem adiante. Alguém haverá de ler e tomar alguma providência. Ou não. Fiz minha obrigação.







enviada por Megeon



26/02/2004 23:41

"Somos civilizados e ..."


"Nossa civilização é em grande parte responsável por nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas."

Sigmund Freud


enviada por Megeon



18/02/2004 18:04
Antes de tudo: a verdade.

Sim, antes de mais nada, a verdade. Pelo menos, aquela que conhecemos.
Essa, temos o dever de revelar.
É o que acontece com o texto abaixo: Mude de Edson Marques, publicado como sendo de Clarice Lispector; e agora como sendo de Paulo Coelho, apesar do Paulo dizer que não é seu.
No poema, o autor, Edson Marques , utilizou uma frase de Clarice Lispector ao final do texto (Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena) e, creditou a frase (e apenas a frase) à autora, o que causou o engano que vem sendo insistentemente repetido a cada vez que um e-mail com o texto é reencaminhado ou a cada publicação.
Pessoas, apesar da beleza, vamos prestar atenção ao todo e a tudo.

Miguel de San Martin
migueldesanmartin@ig.com.br



"MUDE"

por Edson Marques
com a ultima frase
por Clarice Lispector



Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais... leia outros livros,
Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda!
...
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!!!!


enviada por Megeon



15/02/2004 19:38
Um recado para uma mãe pagã que perdeu seu filho...

"O Anjo"

Original em inglês: ©Jennifer Ann Harvilak, 2004
paganrose@juno.com

Tradução e Adaptação: ©Miguel de San Martin, 2004
migueldesanmartin@ig.com.br


De uma nuvem muito distante, você olhou para mim e sorriu.
Você procurou a Deus/a e perguntou-lhe se poderia me escolher como sua mãe.

Ela acariciou seus cabelos e respondeu: "Sim!, certamente você pode escolher sua mãe! Só não esqueça que eu tenho muito trabalho para você aqui."

Você A olhou, e questionou "O que tanto eu tenho que fazer aqui que não possa ficar com minha mãe?"

Sorrindo, a Deus/a te pegou no colo: "Doçura, existem alguns pequenos anjos que são demasiadamente perfeitos para que eu os deixe ficar na terra! Aqueles que eu chamo cedo são os que são por demais bonitos e perfeitos, e não quero que percam sua inocência. São esses pequenos anjos que fazem com que a Terra do Sol (Summerland) seja tão brilhante para os que a vêem da terra. Perceba... é a beleza interna desses pequenos anjos que funciona como um bálsamo para as pobres almas que estão vivendo em sofrimento e miséria."

Você sorriu, meio sem graça, e perguntou preocupado "E a respeito da minha mãe? E sobre a dor da minha perda quando chegar a hora de eu deixá-la?"

A Deus/a te abraçou carinhosamente e disse "Tua mãe ficará muito triste quando você deixá-la tão rápido, mas ficará confortada ao saber que é você que beija seus cabelos quando ela sentir o vento tocá-los. Ficará menos triste quando perceber as cores de uma borboleta que foi pintada por sua mãozinha. No início, ela não compreenderá... mas, de vez em qunado, ela sentirá tua presença em sua vida. Então, quando ela mesma começar sua jornada para a Terra do Sol, sentirá orgulho quando encontrar você... e, mais ainda, ao saber que você era assim tão especial que estava lá para guiar as pessoas para casa."

Nesse momento, você sorriu, e em seu coração, soube que era assim que as coisas funcionavam.

Da tua nuvem, você olhou outra vez para baixo, e me disse "Mamãe, eu só posso ficar com você pouco tempo... mas eu sempre estarei ai mesmo quando você não puder me ver. Eu te amo, e sempre te amarei... serei eu que segurarei tuas mãos quando você chorar por mim... apenas concentre-se e você poderá sentir minha presença em tua vida!"

E com isso, você beijou a Deus/a, e pulou para a terra. Ela lhe acenou soprando um beijo e dizendo... "Faça uma jornada segura, te vejo mais tarde!"

...

E agora, eu estou aqui... e você ai, brilhando no alto dos céus. Eu ainda não cheguei ao ponto onde nao sinta desconforto com a dor da minha perda... mas confio em você... acredito em você.. e eu sei que você continua perto de mim, minha pequena criança.

"Faça uma jornada segura, te vejo mais tarde!"


enviada por Megeon



13/02/2004 16:47
Desenhos da Cissa
supercissa@hotmail.com



enviada por Megeon



09/02/2004 01:25

ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimaraes

enviada por Megeon



05/02/2004 22:37
O Primeiro Passo

Feliz. Dei o primeiro passo.

Não há caminhada pequena, média ou grande que não comece com um simples e pequeno "primeiro passo".
enviada por Megeon






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-.Garota Marota.-